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Garoto leva bronca por gostar de rock

A paixão pelo gênero musical faz com que o menino Marcelo tenha a atenção chamada pela diretora e perca a vontade de ir à aula e tocar violão e guitarra

O garoto Marcelo Corrêa de Carvalho, 8, com o violão dele, sentado em banco do condomínio onde mora. Ele saiu da escola Ponto Alfa depois de ser repreendido pela diretora por causa da paixão pelo rock O garoto Marcelo Corrêa de Carvalho, 8, com o violão dele, sentado em banco do condomínio onde mora. Ele saiu da escola Ponto Alfa depois de ser repreendido pela diretora por causa da paixão pelo rock

 

O que era para ser um simples primeiro dia de aula virou polêmica na escola Ponto Alfa, em Rio Preto. De acordo com Nara Campos Calachi, 26 anos, a paixão do filho Marcelo Corrêa de Carvalho, 8, pelo rock’ roll "irritou" a diretora Ana Maria Fernandes, 51. "Além de o garoto perder a vontade de ir à aula e tocar violão e guitarra depois da conversa na diretoria", diz a mãe.

"Ela [diretora] falou que a música que ouço, que é heavy metal, era coisa do capeta. Amo rock’n’roll e fiquei assustado", afirma Marcelo. Já a diretora, em entrevista, diz que foi roqueira e se defende alegando que é contra apenas as letras das músicas. "Sou contra também o efeito que esses tipos de música [rock’n’roll] e mensagens das letras causam nas crianças. No caso desse aluno que tem apenas oito anos, ele é revoltado e agressivo. Não é à toa que foi expulso de várias escolas", afirma Ana Maria.

A mãe de Marcelo conta que a diretora chegou a afirmar que o filho não era nada. "Que ele só tinha desenvolvido duas habilidades e ela, 20. E o pior: que todos os roqueiros são satânicos. Foi esse o termo que ela usou. Ele nunca tinha escutado essa palavra antes", diz Nara.

A diretora contesta afirmando que não usou nenhum termo "pesado" e que não falou sobre assuntos que pudessem assustar Marcelo. "Mostrei a tradução de músicas prediletas dele. Ele as ouve todos os dias. A família tinha de saber a tradução das músicas dos ídolos desse garoto", afirma a diretora.

Satanismo e drogas

Quanto a chamar os roqueiros de satânicos, a diretora afirma que disse outra coisa. "Falei que a maioria dos roqueiros se droga. Que morrem muito cedo. Exempliquei com a leva de roqueiros que morreram aos 27 anos. Acabamos de presenciar outra morte que foi a da Amy Winehouse", diz Ana Maria.

A mãe de Marcelo diz que o filho fez teste de QI e que tem altas habilidades (seria superdotado). "Apesar do grau de inteligência do Marcelo, a diretora deveria ter me chamado para conversar e não ter tido uma conversa pesada com ele", diz Nara.

A diretora discorda defendendo que a conversa foi natural e que não a teria tido com um aluno que não fosse superdotado. "Pesado são as traduções das músicas que ele ouve diariamente. Pesado é o que a família está fazendo com o Marcelo. Essa criança não está em nenhuma escola", diz a diretora.

A mãe de Marcelo afirma que a diretora destruiu o sonho do filho em ser roqueiro. "Não matei o sonho dele. Apenas fiz o Marcelo enxergar e entender o que ouvia. Algumas músicas do rock não têm harmonia e melodia", contesta a diretora.

Marcelo afirmou várias vezes durante a entrevista que não quer voltar para aquela escola. "É uma pena ele ter saído. Se essa família resolver voltar atrás pode trazê-lo para estudar aqui", afirma Ana Maria. Justiça Nara procurou o Conselho Tutelar e registrou boletim de ocorrência contra a escola. "Algo tem de ser feito diante desse preconceito". A diretora diz que vai esperar ser chamada pela Justiça.

Especialistas repudiam atitude de diretora

A psicopedagoga Gisele Imbernon de Sousa e a psicóloga Eliana Correa Vilches repudiam a atitude da diretora Ana Maria Fernandes da Escola Ponto Alfa, em Rio Preto, por repreender o aluno Marcelo Corrêa de Carvalho, 8 anos, por gostar de rock’n’roll. "Em nenhum momento essa atitude é aceitável. Nem para essa criança, nem para qualquer outro tipo de criança. Não é dessa forma repudiando ou colocando medo que a situação será resolvida. Faltou didática tanto por parte da professora quanto da diretora para lidar com essa criança, principalmente por ser o primeiro dia de aula", afirma Gisele.

A psicóloga afirma que as profissionais erram no momento que "rotulam" o garoto apenas pela sua paixão pela rock. "O mais grave é que foi apenas em um único dia. Essa criança pode estar imitando a paixão dos pais ou avós. O correto seria falar com a família antes dessa conversa com o garoto, que provavelmente nem sabia a tradução das músicas que ouvia. Mostra a inocência dele", diz Eliana.

Filme mostra a polêmica invertida

Um professor roqueiro que tenta convencer seus alunos "caretas" e de pais conservadores a aprender a apreciar e a tocar o rock’n’roll. Esse roteiro, que inverte a polêmica discussão que acontece em Rio Preto, é do filme "Escola de Rock" ("School of Rock" – 2003 – EUA), do diretor Richard Linklater, com o engraçado Jack Black no papel do professor roqueiro.

No filme, o poder da música acaba aplainando as diferenças de opiniões e, tanto os pais como os alunos, que só viam valor na música clássica, acabam se apaixonando pela batida, as guitarras distorcidas e os vocais berrantes do rock.

O filme também mostra o aspecto comportamental do rock’n’ roll, com seu modo questionador de regras rígidas que são impostas pela tradição. Prega para as crianças que é importante aprender a questionar o que é pré-estabelecido para que elas possam escolher os seus caminhos.

Música fala sobre o número da besta

Música que deu nome ao álbum lançado em 1982 pela banda inglesa de heavy metal Iron Maiden, "The Number of the beast" fala sobre o número da besta, do livro bíblico do Apocalipse. Veja um trecho da letra em inglês e a tradução livre:

"Six, six, six the number of the beast. Six, six, six the one for you and me. I’m coming back, I will return, And I’ll possess your body and I’ll make you burn. I have the fire, I have the force. I have the power to make my evil take its course"

"Seis, seis, seis, o número da Besta. Seis, seis, seis, o número pra mim e você. Estou voltando, vou retornar Possuirei seu corpo e o farei queimar. Eu tenho fogo, tenho a força. Eu tenho o poder para fazer o meu mal seguir adiante".

 

Fonte: Site Rede Bom Dia.

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Uma resposta

  1. Felipe

    Tenacious D – Kickapoo se encaixa mtu bem para esse caso hahahaha

    agosto 4, 2011 às 9:46 am

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